Rio de Janeiro, 10 de agosto de 2007.
Ao
Dr. José Maurício
Prezado Doutor,
Queria lhe escrever. Ao iniciar fiquei em dúvida se começaria por dizer: “quando eu era menor, ou quando eu era menino. Dúvidas que me assaltam a alma, quase sempre. Aí minha ânsia de dizer “quando eu era menor”, foi refreada porque ainda hoje continuo pequenino e, optei pelo menino embora continue ainda hoje também “menino”, mas menino ninguém acredita, enquanto a alternativa – menor ou pequeno, soa falso ou pedante, já que todos vêem claramente que embora pequeno não sou mais menino. E zombariam com risos escondidos se eu apregoasse que um dia cresci de alguma forma.
Optei pelo menino, embora ainda me sinta um, ninguém assim me vê. Finalmente consegui achar um jeito de iniciar.
Quando eu era menino, e deitado literalmente “de papo pro ar” nesse quarto que hoje é ocupado pelo Alan, minh’alma vagava pelo mundo em fantasias. Ficava horas a navegar imaginativamente voando e vendo o mundo que me cercava. Dava alguns vôos rasantes, por sobre casas, árvores, pessoas e, observava o transcorrer da vida, lento e imperceptível, quando se é um “projeto” de gente.
Nessas horas, e foram muitas, me via adulto, com família, com filho ou filhas como aconteceu de fato – não sei se por direito ou benesse do meu bom Deus. Hoje eu sei, trabalhava meu projeto de vida intelectualmente, sem ao menos saber que isso era possível.
No último dia 08 de agosto de 2007, recebi a cópia do seu diploma de “Doutor em Biociências e Biotecnologia”, aí eu vejo como quanto ainda sou ignorante e menor, porque não sei sequer o que significa o Bio–de ciências ou mesmo o Bio-da tecnologia. Mas será saber isso nesta altura é importante?
O mais significativo é verdadeiramente o seu nome ligado ao título de Doutor, porque para mim e para toda família é uma realização, e realização a meu ver é justamente aquilo que produz a melhor das felicidades no homem. Não que despreze a felicidade dos outros tipos como “ganhar” coisas como dinheiro, bens, diversão. A meu ver pequenino isso são apenas contentamentos passageiros em contrapartida a realização é eterna.
A suprema felicidade ocorre quando existe realização interior – produzida por crescimento pessoal – como nesse caso, que exigiu um grau de esforço muito grande que só sabe avaliar corretamente que passou por isso. Quem teve de lutar contra condições adversas, contra crenças adversas, condições materiais adversas e chegou a um fim pré-determinado.
Quantas horas de solidão profunda, quantas dúvidas tiveram de ser suplantadas, quantas vezes a alma foi assaltada pela dúvida: Valerá a pena?
Alcançar uma meta é isso, lutar contra um mar bravio de incertezas e, atracar o seu destino em um porto seguro de esperanças no futuro, porque quem navegou por esses oceanos, não teme viagens maiores, não teme riscos, não teme desafios, porque aprendeu que sua força interior é superior, às adversidades e vicissitudes da vida.
Aprendeu que a coragem não é uma força sobre humana, mas sim uma necessidade de continuar apesar do medo.
Ah! Não importa o passado, não importa o presente, não importam os sacrifícios quando se pode saborear – nos devaneios solitários – a realização de um objetivo, como esse que é só seu.
Eu pessoalmente estou exultante, e lhe dou meus efusivos parabéns por esse feito. Aproveitando para lhe agradecer os respingos de felicidade que você proporcionou à minha família e, almejo que novos arrojados e ternos objetivos possam se implantar em sua cabeça privilegiada, para que daqui a pouco, possamos sorver uma nova taça do mel da realização.
Cabeça nas nuvens, pés no chão, crença no amanhã, paz e equilíbrio, são fatores que hão de coroar seu horizonte e, fazer surgir um arco-íris de realizações que possa colorir nossas presenças aqui na terra.
Em uma palavra:
P a r a b é n s.
Apolinario de Araújo Albuquerque
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