quarta-feira, 14 de maio de 2008

Você acredita em Papai Noel?

Você acredita em Papai Noel.

Ele existe, sempre vai existir Coelhinho da Páscoa, Mula sem Cabeça, Bicho Papão, Papai Noel, Democracia, Estado de Direito, Poder de Polícia, Justiça, Equidade, Igualdade, Fraternidade, Voto Popular. Essas coisas existem mesmo, porque ao homem foi determinado criar fantasias e delas tirar proveito, para melhor viver.
Algumas revestem-se de caráter romântico e dão oportunidade à construção da psique infantil – outras nem tanto, criam monstros devoradores ou heróis de plantão que alegram nossos dias.
Outros, como os gregos tinham suas mentes brilhantes voltadas para artes e a cultura do físico, inventaram uma realidade de governar os povos ignorantes, dando-lhes a oportunidade de se acreditarem “donos do poder” e capazes de eleger seus algozes – através do voto. Eles acreditaram, e todas as nações acharam muito bom esse sistema e deram tratos a bola para divulgar como o que de melhor existe para dominar e “governar” o povo em geral – governar no sentido de oprimir.
E assim a crença floresce, cresce, e se multiplica e dá vazão a outras crenças, como Estado de Direito, Voto Popular, Poder de Polícia, Liberdade, Igualdade. Quando tudo ajustado bonitinho até que a coisa transcorre menos dolorosa, dá pra segurar por alguns séculos a utopia.
Mas quando a miséria a fome e a ignorância aparecem, surgem os tanques, a Polícia repressora e as Constituições Democráticas votadas em quartéis, em Plebiscitos populares para referendar a permanência no poder dos “justos” defensores do povo, da democracia e do direito.
A questão das oportunidades para todos galgarem seus estágios de vida como seres humanos maduros estão circunscritos a “rezar” pela cartilha das crenças convenientes, porque se “sujar” fora dela, rapidamente, você perde a capacidade de trabalhar, de produzir e torna-se um paria. Ou defende as utopias ou vá viver sua indignidade na miséria.
Ao povo se lhes é dito dono e provedor do poder, aquele que através do voto direto e universal, elege seus ditos representantes, que lhes impigem tributos escorchantes como sua retribuição ao mandato recebido; fazendo o jogo da perpetuação. Representando quem?
As escolas de modo geral e em específico às de direito, de educação, “ensinam o que e certo” – o que é certo é o que esta escrito nos livros – nas leis, na prática do que deveria ser mas não é. E o fosso, o abismo difere dos pensamentos escritos e a realidade palpável é incomensurável e...vai daí que na rua vive-se um realidade nunca discutida com seriedade por quem deveria discutir. Aí pululam, medo, raiva, covardia, polícia mineira, chefe de morro, governo paralelo, propinas, corrupção, meninas menores presas com vinte homens, diretor de jornal que mata a sangue frio e não é preso.
Pra tudo os livros dão uma explicação certa, mas... é utopia que devemos viver?
Diante desse quadro, onde aprendemos a valorizar o faz de conta, a pensar no conformismo, educados para a mesmice; pergunto: valerá a pena uma vida comprometida com o falso, com a falta de objetivos maiores, só porque está assim escritos em convenções que não fui signatário?
Apolinario de Araújo Albuquerque Rio de Janeiro, 27 novembro 2007.

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