Definindo Felicidade
Pensamos a um primeiro momento que definindo felicidade, estaremos mais próximo de encontrá-la, ou quem sabe, pensando humildemente entendê-la.
As pessoas navegam pela vida, como uma nau a procura de uma terra desconhecida, como fazia Vasco da Gama. Enfrenta tormentas, ventos favoráveis e calmarias. Encontra terras desconhecidas inóspitas, e outras nem tanto.
Busca nesse mar imenso a terra desconhecida o bem aventurado paraíso, onde possa atracar sua nau vagabunda e tornar-se por tempo infinito, senhor e rei destas terras.
Viver plenamente a felicidade terrena, como um deus onipotente, que pode tudo; onipresente que está em todos os lugares ao mesmo tempo do seu paraíso, e onisciente que por estar em todos os lugares, sabe tudo.
A busca dessa utopia é latente em cada espírito humano, porque entende que muito mais do que se diz das realizações do espírito, procura tenazmente no poder que lhe engrandece e infla o ego; no dinheiro que assegura a disponibilidade de bens, fartura e toda sorte de abundância material, saciando infinitamente o seu corpo físico de todas as benesses que possa imaginar.
Então confiando na voz do povo – que alguns teimam em dizer: “a voz do povo é a voz de Deus”, diz-se, também que: “dinheiro não traz felicidade”. Mas... há controvérsias recíprocas, isto é, pode ser verdade como pode ser uma inverdade, depende das circunstâncias e fatores envolvidos e, principalmente, das pessoas envolvidas. As generalizações são sempre perigosas e tendentes a encobrir erros.
Aí. Temos de ouvir os defensores materialistas – monetaristas – que argumentam ser o dinheiro a única via de se alcançar a tal felicidade. Ora ter dinheiro – muito de preferência – nos permite alcançar comodidade; acesso a inúmeros bens que tornem nossa vida rica em confortos e benesses que outros não tem acesso. Mas isso pode ou não significar felicidade, depende, repetimos, das condições, circunstâncias e do indívíduo.
Não se pode, envidentemente, esquecer – e pior do que esquecer é esnobar – os confortos que o gênio humano criou e do bem estar que eles indubitavelmente proporcionam. Também não se pode esquecer das agruras correlatas por que se passa para usufruir desse bem estar, que ocorrerão certamente para ganhar o bendito dinheiro que sustenta a vida farta, como para manter o fluxo constante e perene desses recursos, e ainda mais, não se pode se quer esquecer dos problemas correlatos advindos com a simples posse e administração de sua posse.
Por falar em problemas que se manifestam, temos certeza de que muitos seres (muitos milhões) vivem ou vegetam por toda vida sem ter sequer consciência de que existem bens que lhe possam minorar sofrimentos advindos de sua condição miserável. Não tem consciência de que são felizes ou infelizes. Ou mesmo que esse julgamento psicológico das coisas possa significar algo importante para o ato simples de viver.
Voltemos aos que tem acesso aos bens, produzidos e financiados pelo dinheiro: desfrutam uma vida confortável, mas são colocados na condição de escravos dessa posse, do mesmo modo que aqueles outros que se escravizam pela carência total.
O dinheiro e sua busca tem um preço a ser pago, em esforço, em renúncia. Só os mais afortunados de mente, de atitude, e de espírito não se deixam apegar pela armadinha que o acumulo da riqueza proporciona.
É saudável, pois, aos jovens de qualquer idade, dos oito aos oitenta, buscarem sua melhor condição de vida, para si e para os seus – mantendo, no caso o desprendimento de que não vive só e isolado no mundo – não se deixando contaminar pelas doenças comuns que acabam por se instalar em seu espírito: a usura, o egocentrismo, a ganância e o apego aos bens materiais. Parece pregação religiosa e é, pois, esses impostores vão certamente acabar por prender aquele que amealhou fortuna para viver, se contaminado acaba prisioneiro encarcerado condenado à morte.
Seria tão fácil se pudéssemos definir felicidade como um estado de contentamento. Aí estaríamos nós faltando com as verdades do ser humano, por excelência contraditório, dúbio e fugaz.
Sempre que se afirma, em uma situação qualquer, que alguém está feliz, querendo informar do contentamento momentâneo e passageiro de alguém. Outros tantos vão se encarregar de mostrar o contraditório, a falta de oportunidade temporal e a frugalidade daquele momento. O contraditório se estabelece, derrubando a felicidade tomada por contentamento passageiro, como inverídica e inexistente.
Podemos então deixar de lado, a pretensão de definir a tal felicidade por esse prisma; buscaremos, pois um lado mais culto mais difícil de entendimento, só alcançável por intelectuais, diriam.
A felicidade será uma paz de espírito habitual. O que certamente nos conduziria a imaginar um ser alienado – vivendo em meio a seres humanos, carentes, sofredores, batalhadores; sem se quer ser atingido por um sentimento de piedade, de culpa ou de consciência de que não pode existir felicidade plena, quando um ser seu semelhante sofre ao seu lado.
Por outro lado, apesar de reconhecidamente ilógico e destituído de razão aparente pelo comportamento.
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