quarta-feira, 14 de maio de 2008

O Mito Dinheiro

O Mito – dinheiro.


E a filosofia monetária vs responsabilidade profissional.
Hoje abrimos o jornal diário e invariavelmente lemos anúncios dos sindicatos e das classes trabalhadoras reivindicando maiores salários, sob alegação de serem os seus muito baixos, comparados com... não sei. São os militares, os policiais (civil e polícia militar), os professores, os carteiros e os fiscais da receita federal (nessa semana em greve); dos médicos e funcionários públicos de modo em geral etc.
É uma reivindicação justa – não resta a menor dúvida, não fosse apenas por um detalhe. Junto com os pedidos vem a justificativa da baixa produtividade, pelo mau atendimento, e pelo descaso para com os serviços que presta à sociedade e, no geral os atendimentos e a prestação de serviços beira as raias da calamidade, tendo como justificativa o baixo salário.
Nessa semana – o Globo publicou – em plena crise da dengue, anúncios do sindicato dos médicos – claro chamando à classe para políticas reivindicatórias de melhores salários – e do descontentamento sobre as condições de trabalho. Nessa mesma semana lemos o anúncio do Sinpro-Rio – dos professores, reclamando do tratamento oferecido aos professores pela Universidade Estácio de Sá, e... a diminuição das horas aulas de 150 para 120 h/aula, por semana.
Eu pessoalmente vivi essa briga de cobertor curto com a política de “fingem que me pagam, eu finjo que dou aula”; e nós pagamos dinheiro de verdade e integralmente. Esperto esse monetarismo selvagem – o aluno gasta para se bacharelar e depois gasta outro tanto para se informar e talvez aprender algo para fazer a prova da OAB, como no meu caso. Nos demais casos gasta também, mas para se sentir preparado a aspirar uma função ou a um cargo que invariavelmente exige conhecimento seguro.
Sabem o que é grosseiro nisso, é que tem escolas que não dão lucros – porque vivem em guerra de mensalidades. Aí chegam a perfeição não produzem nada de útil nem ganham... o que pensam ganhariam com suas políticas monetarísticas. Justo hoje saiu o resultado da prova do Enen – com resultados bem favoráveis aos colégios sérios como São Bento, Santo Inácio etc., porque não servem de espelhos esses colégios aos demais? Talvez seja porque não vivemos numa época onde reine a seriedade, a produtividade.
Ganhar dinheiro não é pecado, é até saudável de algum modo, porque só o São Bento tem oitenta anos, e se mantém até hoje porque ganha também, do contrário já teria fechado as suas portas.
Mas voltemos nós nossos olhos para uma informação que me caiu como um presente, porque sempre e sempre tenho a dizer: salário não justifica a baixa qualidade profissional reinante, se quizer comparar vejam os Fiscais da Receita Federal em greve – dizem eles procedimento padrão – prejudicando milhares de pessoas por melhores salarios e ganham algo em torno de 13 a 18 mil, porque ao seu ver merecem mais. Vejam os carteiros que essa semana ganharam uma gratificação de cerca de 1.300 como participação nos lucros, e pararam o funcionamento de correspondência com sua reivindicação justa, muito justa... como as demais classes tambem o serão, se tiverem a força política de paralizar serviços essenciais.
Outro mas, um dirigente médico entrevistado revela seu descontentamento com o salário baixo e com as condições de trabalho – dizendo que isso resulta no prejuízo do atendimento de milhões de crianças com dengue na fila de espera por dez ou quinze horas, que vão aos hospitais a procura de um auxilio uma informação. Eu fui nesta terça-feira a um hospital, e marquei consulta particular – por telefone –disseram: - chegue 14:00 que vai ser atendido por ordem de chegada – o médico atende de 14:00 as 16:00. Lá estava eu as 13:30 e o médico chegou as 15:15 h, iniciando o atendimento imediatamente, tanto que em 10 minutos já havia atendido pelo menos umas 6 ou 7 pessoas. Sabe aquele atendimento de mago, isso é que é experiência, quantidade e nenhuma qualidade. Lembram da palavra responsabilidade que mencionei acima... esqueçam nesse caso.
Pois bem, no jornal “O Globo de 05 abr 2008, Coluna do Anselmo Góis – tem uma informação bem interessante:
MÉDICOS DO BRASIL
No momento em que uma legião estrangeira de médicos de outros estados vem socorrer o Rio, uma pesquisa da FGV, coordenada por Marcelo Neri, mostra que fazer medicina no Brasil é quase garantia de emprego.
Numa lista de 85 profissões, é a carreira com a maior taxa de ocupação (90% trabalham). Também é a que, na média, tem o maior salario (R$ 6.270), mas, por outro lado, a maior carga horária (50 horas semanais).
Pois bem, o que a pesquisa mostra é que médico tem trabalho e pode, em média chegar ao maior salario, contrariando tudo que dizem as propagandas. Então aqueles que tem o melhor salário também reivindicam aumento, como os fiscais, como os carteiros, que dirão então os professores, os taxistas, os bombeiros, os pedreiros, os eletricistas etc... os cientistas que também se especializam e estão tão esquecidos. Todos enfim merecem mais, muito mais.
O que se pede ao meu ver é uma vida digna e tranquila e com os serviços publicos funcionando, como escolas, hospitais, ruas limpas e acesso as informações sem essas distorçoes – acho até que os Juizes e Promotores deveriam entrar na lista reivindicatória, pois são brasileiros e especializados também.
Então isso só me leva a uma conclusão: a baixa qualidade dos serviços não tem absolutamente nada a ver com o salario recebido. Embora a voz corrente seja essa, na minha cabeça essa lógica não está correta, porque todos tem de se conscientizar de que os salarios são esses mesmos que estão aí no mercado, que é o senhor e dita as normas. O que não se pode é comprometer a produção de um bom trabalho (sério e produtivo) com um trabalho mediocre e desinteressado sob a alegação de ganhar pouco.
E todos perdem – o país perde em crescimento, com esse pensamento ilógico.
Eu penso que isso deveria ser exatamente o contrário: Quando eu quero ganhar mais deveria fazer melhor, com mais qualidade e em menos tempo. Só assim, vou criar a possibilidade de me destacar e conseguir – até dentro de minha profissão – melhores ganhos.
É uma falácia divulgada profusamente, essa de que o serviço ruim decorre de salario baixo, quando na verdade ao meu ver, o contrário é que representa uma verdade a ser defendida, trabalho ruim remunera-se com baixo ganho. É de mérito que estamos falando e não de força de atuação política reivindicatória.
Estamos vivendo a lógica – perversa por sinal – do monetarismo desenfreado e com eleição do deus dinheiro como o nosso mito – honras ao cara, por sua brilhante atuação, embotando mentes e criando atraso quando todos querem exatamente progresso.
Apolinario de Araujo Albuquerque Rio, 05 abril 2008.

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